A Natureza em Brasília (VII): O Rito das Sapucaias
Viver em Brasília é bom e é cheio de surpresas, não somente “apesar”, mas também por causa do clima e da natureza que marcam este quase-deserto, que precisa apenas de olhos generosos para ser devidamente apreciado. Como no caso dessas amigas, as Sapucaias. Todos os anos elas comparecem, vestidas com um manto que é algo entre o rosa e o roxo beterraba. Explodem no auge da seca, final de setembro; antecipam-se às cigarras. Andam em boas companhias, quase todas amarelas. Seres elegantes, de copas arredondadas, parecendo modeladas por mão humana. Aqui no cerrado não exibem o vigor da mata atlântica – também pudera – mas ainda assim marcam forte presença. Estão sempre em pequenos grupos de três ou quatro, ou mesmo isoladas. Formam ilhas de cor no meio da secura cinzenta da estação. Foi de propósito, Burle?
No calendário floral de Brasília marcam pontualmente o momento crucial em que o reino vegetal desafia a meteorologia e, independente dos prognósticos desta quanto à mudança do tempo, bota-se flores e folhas novas por todo lado. E contra todas as impossibilidades, vence. E é assim que no mundo floral francamente amarelo das sibipirunas e dos guapuruvus, surge tal personalidade róseo-roxa. E bela figura faz, mesmo entre os menos sensíveis às coisas da natureza.
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